segunda-feira, 15 de junho de 2009

Vou-me Embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Poema escrito por: Manoel Bandeira

2 comentários:

  1. Pasárgada.... inferno ou paraíso??

    Como é o ser humano que nao almeja? O ser humano que possui tudo o que quer? Como seria a vida sem os sonhos de ganhar na mega sena, ou ter uma carreira bem sucedida? Se ja possui tudo isso, como seria a vida sem almejar um sentimento profundo de envolvimento ou a sensação de perder aquilo tudo que já tem?
    O medo, a esperança e a dúvida do amanhã nos fazem ser quem somos, pois, são nossos atos que nos definem, aquilo que fazemos para chegar onde queremos.
    Pasárgada seria perfeito agora, mas até quando?

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  2. Pois por isso Paságada é tão perfeita, é o resumo de nossas sensações e sonhos inesquecíveis com efeito duradouro... Uma cidade fantástica, se céu ou inferno não importa... É um lugar para nos esquecermos das preocupações, e até quando? Também poco importa! Vamu embora pra Pasárgada!?

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